Animal Farm
3 May, 2012 by Tiago Figueiredo

‘Animal Farm’ é uma fábula de George Orwell que se pode adaptar aos mais variados contextos, mas que traduz de forma simples o que acontece a muito boa gente que empunha bandeiras e listas de valores e princípios enquanto escala o cume do poder, mas que se vê subitamente despojado desses adereços quando o alcança.
Não é preciso muito para contar esta história. Sabem o que aconteceu na Fontinha, no Porto? Se não sabem, encontram facilmente referências aqui.
No 25 de Abril último, Lisboa viu também um prédio devoluto ser ocupado por um grupo de cidadãos que propõe fazer do espaço qualquer coisa de útil à população. A Vereadora Helena Roseta não gostou. A notícia vem aqui.
Convém lembrar que existem em Lisboa, inventariados, 4689 edifício devolutos. Se quiserem ver a lista, carreguem aqui. Há quem tenha escrito sobre isso e feito um trabalho interessante com os dados, coisa que, parece-me, a CML não conseguiu ainda fazer. Podem ver aqui.
As declarações da Vereadora Helena Roseta tiveram agora resposta que vale muito a pena ler. Aqui.
Não conheço o prédio ocupado da Rua de São Lázaro, não sei se conheço alguém envolvido na ocupação. Para mim, tal como na história da Fontinha, as declarações dos governantes servem-me para aumentar ainda mais o descrédito e desencanto que tenho sentido nesta democracia que teima em dar razão a George Orwell.
Lembro-me de há uns anos largos andar este blog a tentar trazer um coro para o Lumiar, para um pavilhão desocupado que existe na quinta dos Lilazes, pertencente à CML. O coro queria ir, a população do Lumiar queria ter um coro, o espaço existia. Foram feitos abaixo-assinados, telefonemas. Reuniões na Junta de Freguesia e Câmara Municipal. Sairam notícias nos jornais. Muitos assessores garantiram solidariedade, falavam nessas coisas muito bonitas da democracia particiativa, da importância dos movimentos de cidadãos. Nada foi feito. Foi pedida à CML uma lista de espaços alternativos que pudessem servir o coro. Nenhuma resposta.



http://gaia.org.pt/node/16294
Carta de resposta às declarações de Helena Roseta sobre a ocupação da Casa de São Lázaro
Terça, 2012-05-01 11:38 — Cecilia
O GAIA, na qualidade de associação legalmente constituída e com trabalho ininterrupto desde 1996, no que concerne às declarações da vereadora e Arq.Helena Roseta, sobre a ocupação de um edifício camarário devoluto na rua de S. Lázaro, tem a declarar o seguinte:
- Faz perto de 5 anos que o GAIA contactou pela primeira vez a CML no sentido de obter permissão para utilizar um edifício camarário, das várias centenas de edifícios camarários devolutos na cidade de Lisboa.
- Durante todo este tempo sucederam-se as reuniões entre o GAIA e a CML, entregaram-se todos os documentos e desenharam-se os projectos, que circularam de gabinete em gabinete, foram perdidos pela CML e reapresentados em novas reuniões. Até ao momento ficamos com a ideia que o nosso projecto passou pelas mãos de todos os funcionários da Câmara, e ainda assim não foi aprovado. Nem recusado. Como o nosso, projectos de muitas associações entopem as gavetas dos gabinetes da Câmara, enquanto os edifícios vão ruindo.
- Os nossos direitos, e de todos os lisboetas, são pisados a cada esquina, a cada quarteirão abandonado. A incompetência da CML em gerir o património comum priva todas as pessoas que habitam a cidade de Lisboa de uma série de equipamentos que deveriam estar ao seu serviço, para fins culturais, sociais, educativos.
- A ocupação da R. de São Lázaro é um pequeno exemplo do que uma cidade viva pode ser. Estamos com os que todos os dias constroem esse projecto, com o seu esforço em recuperar o edifício e devolvê-lo à cidade, para a concretização do fim social que a habitação deve cumprir. Como estes, venham muitos, muitos mais!
Pois e esperemos que ninguem se lembre de ocupar os novos condominios da alta de lisboa que estão parados pois acabaria por estragar de vez o mega projecto da alta de lisboa…
Interessante. Lembro-me de situação parecida emBelem-BR