Custo total de posse
30 June, 2010 by Nuno Freire

Quando compramos um carro, um frigorífico, uma casa, sabemos, alguns pelo menos, que o custo daquele bem ou equipamento não se fica pelo valor que aparece no recibo ou no cheque. Com o carro temos de contar com o combustível, reparações, seguros, etc; no caso do frigorífico sabemos que uns gastam mais que outros, há os de classe A e B, os “No frost” e os normais; e com as casas sabemos bem que há mais vida para além da prestação mensal. Tudo somado resulta naquilo a que os especialistas resolveram chamar o custo total de posse, ou “total cost of ownership (TCO)” na versão anglo-saxónica.
Este é um valor a que as empresas em geral têm atenção ao adquirir algum equipamento e como nós (ou nós como elas) fazem as suas contas e em função disso tomam decisões mais ou menos racionais. Devido à situação económica actual e a um esforço generalizado de contenção de gastos, este valor tem acrescida importância, com novos factores, nomeadamente ambientais, a serem considerados no seu cálculo.
Cada um de nós é livre de se deixar levar pela emoção e quantas vezes a razão se fez tímida perante a possibilidade de ter não 100 mas 200 canais de televisão ou um frigorífico daqueles à Americana. Claro que isso se paga e o que não pode, não deve acontecer é, no final do mês, ter de cancelar a TV cabo, devolver o frigorífico, ou mais trágico, ficar sem casa.
Já quem nos governa não pode permitir-se estas fantasias. As contas têm de ser feitas; as opções justificadas de forma transparente e credível; as escolhas feitas a pensar no amanhã e no depois de amanhã. E no entanto, quantas vezes estas boas práticas parecem ser ignoradas e as decisões irreflectidas.
Pois como explicar que se construam lagos e cascatas na quinta das conchas para logo se desligarem por não ser viável mantê-los?


Que não se consiga justificar a opção por tapetes de relva numa rotunda e quanto custará a manutenção desse espaço?

Ou quanto custa manter uma “super”-esquadra para meia-dúzia de polícias guardarem o transito em frente a um colégio, para sairmos um pouco da área dos espaços verdes.
Qual o custo total de uma solução provisória para a porta Sul e já agora quanto nos custa sermos donos de uma faixa de alcatrão e betão ligando parte alguma a lado nenhum como é a Av. Santos e Castro?

Quanto nos custa isto cada mês, cada ano, e quanto nos vai custar no total da sua vida útil, ou inútil nalguns casos?
Aparentemente nada. É dinheiro fácil, meu e vosso. E é invisível. Não está escarrapachado no extracto bancário como a prestação da casa, a mensalidade da televisão ou a prestação do LCD. Não nos entra pelos olhos dentro, antes insinua-se no IMI e na retenção do IRS. Não fora isso e há muito teríamos cancelado o débito automático.
Na era da sociedade da informação, do Simplex e da WEB 2.0 seria excelente esta informação ser transparente e estar facilmente acessível. Poder ir um dia ao site da CML, por exemplo, e entender que para ter mais árvores no parque Oeste isso me custará mais X cada ano e se quiser bancos com costas os custos de manutenção acrescem Y. E dizer, que se dane, são mais <preencher com um valor> mas eu quero bancos com costas, e quanto às árvores, como o dinheiro não estica…vamos esperar que cresçam.



bom post… parabéns!
quanto aos bancos…pois…
árvores… pois…
esquadra em frente ao S. Tomás (está a guardar Nossa Senhora…)… pois…
IMI… Só me lembra aquela palavra: chulice da boa!
Desculpem qualquer coisita mas estou 110% de acordo com este post!
Muito Bom
Este texto vem mesmo a propósito numa altura em que o IVA, IRS, IMI, IMT e outros estão num caminho ascendente sem fim à vista! Tudo tem um preço e é porque existem obras mal feitas e mal acabadas decididas por políticos incompetentes que é necessário aumentar os impostos!
Nem mais! Sobretudo pelo exagero de IRS (etc. etc.) que tive de pagar do ano passado. Ao menos que fosse dinheiro bem gasto.