Da Alta ao Bairro em bicicleta

Fui de casa até ao emprego de bicicleta. Ao contrário do que diz o Marcelo Rebelo de Sousa, em grande parte de Lisboa faz imenso sentido falar de ciclovias. O declive entre o Lumiar e o topo do Bairro Alto é mínimo e perfeitamente ciclável por qualquer pessoa com uma forma física média. O ligeiro cansaço que senti foi evidentemente resultante da falta de prática e não da dificuldade do percurso.

O percurso teve quatro fases distintas. Na Alta de Lisboa anda-se sem problemas, apesar de não haver troços exclusivos para bicicletas, porque as vias são largas. A partir da Alameda das Linhas de Torres começam os problemas. Muito trânsito. Utilizei as faixas BUS para me proteger do grande tráfego, mas as estradas em mau estado dificultam o andamento e criam perigos adicionais.

Desde o Campo Grande até Entre Campos existe uma ciclovia. Está também bastante degradada e acaba por ser redundante face à possibilidade de se fazer o caminho pelo jardim.

Chegando a Entre Campos termina abruptamente a ciclovia, precisamente a partir do ponto esta mais falta faz. Fiz o restante percurso pela Avenida da República, Saldanha, Fontes Pereira de Melo e Marquês de Pombal, antes de entrar pela Braancamp para seguir para o Bairro Alto através Rua da Escola Politécnica. Sempre que possível usei faixas BUS.

Ao longo de todo o percurso senti grande civismo de parte de taxistas e condutores de autocarros. Ultrapassavam-me com uma distância de segurança muito razoável, cediam-me passagem, não se impacientavam pela diferença de velocidades. Só uma excepção no regresso, já à noite, com um 49 que buzinou irritado por eu o ter ultrapassado e depois se tentou vingar atirando-me para a berma.

Por várias razões vou repetir a experiência. Desporto é saudável, apesar dos kilos de monóxido de carbono inspirado (a ASAE devia actuar…), poupa-se dinheiro em gasolina, e apetece-me poder dizer que Lisboa precisa de ciclovias sem ter apenas a experiência de estar confortavelmente sentado num sofá.

Comments

15 Responses to “Da Alta ao Bairro em bicicleta”
  1. Anonymous says:

    Tiago
    as ciclovias e os passeios nao sao equivalentes, sao complementares.

    Ciclovias em Lisboa, para quando?

  2. Tiago says:

    Não sei se percebi o comentário. Seria talvez mais seguro para mim ter optado pelos passeios em vez da estrada. Mas os passeios estavam sobrelotados e senti que se os utilizasse estaria a invadir um espaço reservado aos peões. Imagine-se não uma bicicleta, mas 20 ou 30 num passeio. Qual o lugar dos peões? Daí ter achado mais correcto ter optado pela estrada, sendo a faixa BUS a que me protegia mais de um acidente.

    O ideal seria mesmo uma ciclovia exclusiva para bicicletas, como em tantas, tantas, tantas cidades europeias.

  3. Tom says:

    Parabens! — Agora em inglês porque eu nao tenho vontade de escrever em Português a noite de Sabado (mesmo que a lingua Portuguesa e fantastica :-) )
    So where was I?… I wish we could this more… I used to cycle daily from Benfica to Campo Grande to get to work and I couldn’t agree more the bus drivers were careful etc… I stopped, however, when I had bronchitis… My Doctor asked me if I smoked… (no) and was curious… Do many people smoke at your workplace? (no)… Hmm
    I told her I cycled to work and that was it… My solution: a course of antibiotics and strict instructions to NOT take exercise where there was heavy pollution. I was, needless to say, distraught. I stopped cycling to work (and have since not had any respiratory problems)

    What we really need is “NO CARS” in the urban centre. I believe that today this may sound outrageous but given time, more will be of this opinion (especially if/when we start to see PRT being implemented).
    All the same, well done, I do a similar journey on Sat. morning and it takes me approx 30 mins. (I wish I could use the bike again)
    (apologies for writing in English)
    Tom

  4. pirata says:

    Video fantástico. Compreendo o comentário do Tom e confesso que nunca tinha pensado nisso, eu que pratico corrida urbana.Contudo,como adepto de todo o tipo de medidas que devolvam a cidade às pessoas, continupo a acreditar que se deve insistir em ciclovias a par de transportes urbanos mais cómodos e amigos dos utentes.

  5. Pedro Veiga says:

    O Tom tem razão. Eu já experimentei várias vezes a aventura de fazer um percurso de bicicleta semelhante ao do Tiago. Acabava o dia com fortes dores de cabeça devido à inalação forçada e profunda de muitos poluentes. A poluição é, sem dúvida, um dos grandes entraves à mobilidade urbana por meios não poluentes. No centro da cidade tudo está feito para o automóvel. O peão ou o ciclista que se lixe!

  6. Anonymous says:

    Have you ever tried a mask? Not that I ever wanted to use it, but it is something that more and more people do.

  7. Catarina says:

    Olá, tem piada porque hoje parte do meu longo percurso de bicicleta foi campo grande – marques de pombal e vice-versa. Não concordo com o facto de andares no Bus sempre que possível pois a bicicleta como meio de transporte pessoal não deve andar na faixa do Bus onde esta faixa é prioritária aos transportes públicos, é mau estar um carro na faixa do Bus desnecessariamente tanto quanto um ciclista que ainda por cima não anda à velocidade dos autocarros pelo que só vai atrapalhar aqueles que se deslocam nos transportes públicos.

    Boas pedaladas
    Catarina

  8. Tiago says:

    Pois, eu também não concordo, mas era onde me sentia mais seguro. E felizmente nenhum transporte colectivo teve de se atrasar por minha causa. Todos passavam por mim, com distância segura, à excepção do que relatei. Se fosse na faixa dos outros automóveis, arriscar-me-ia muito mais a ter um acidente. E prefiro não ter.

  9. Anonymous says:

    Tiago, espreita aqui, merece respeito :) <a href="http://100diasdebicicletaemlisboa.blogspot.com/http://100diasdebicicletaemlisboa.blogspot.com/<b… />A proposta que me parece mais sensata em relação a ciclovias para Lisboa é incluir pista para bicicletas no BUS em regime partilha completa (são mesmo proibidas…) ALARGANDO a faixa BUS/BICLETA para que seja mais simples pedalar junto ao passeio, dando espaço ao autocarro para ultrapassar. Há exemplos disso Europa fora. L.J.

  10. Anonymous says:

    Olá.

    Eu também me desloco de bicicleta diariamente da Alta de Lisboa para a a Av. da Liberdade.

    E parece que já somos alguns :)

    Deixo aqui uma ideia/sugestão. Como há de certeza muitas pessoas que também queriam ir de bicicleta, mas têm medo do trânsito, podíamos combinar numa sexta-feira irmos para a Baixa todos juntos, convidando essas pessoas a juntar-se a nós (incluindo o regresso ao final do dia).

    Que dizem?

    Rui Sousa

  11. Pedro Veiga says:

    Seria uma excelente ideia, caro Rui Sousa!

  12. Tiago says:

    Eu na 6ª feira não trabalho na Baixa, mas terei todo o gosto em juntar-me ao grupo na ida. Regresso é anteso do anoitecer, está bem?

    O Viver vai lançar a ideia amanhã. Rui, passa a palavra a quem conheças. Manda um mail para o blog com o teu telefone para podermos combinar.

    Abraço!

  13. anabananasplit says:

    Então, sempre fizeram esse “bike bus”? :-)

  14. Citadina says:

    Olá Tiago!
    Creio que seria interessante referir quanto tempo se demora a percorrer cada uma das etapas de bicicleta.
    Só para comparar com outros meios de transporte.
    Cumprimentos,
    Citadina.

  15. Bruno says:

    parabens, eu estou a montar a minha bicicleta para cidade e vou deixar de conduzir ao maximo

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