Alta de Lisboa – Acessibilidades

O Plano de Urbanização do Alto do Lumiar (PUAL) tem como principais eixos viários o Eixo Norte-Sul, a Av. Santos e Castro e o Eixo Central, a grande avenida distribuidora do trânsito interno do bairro.

A Av. Santos e Castro e o Eixo Central, na ligação à 2ª circular, necessitam de um nó de distribuição complexo, a Porta Sul.

De todas esta acessibilidades apenas o Eixo Norte-Sul está actualmente concluído, tendo sido inaugurado em Outubro de 2007. Faltam ainda a Av. Santos e Castro, o Eixo Central e a Porta Sul.

Av. Santos e Castro, a mais larga e mais cara ciclovia do mundo

Da Av. Santos e Castro já falámos dezenas de vezes, nos últimos anos sem mudanças de conteúdo. É que em três anos, de 2004 a 2007 se chegou onde está agora. Cerca de 95% dos 3,6 Km de extensão construídos, faltando apenas três pontos.

Falta um pilar do viaduto junto ao Campo das Amoreiras, fruto de uma particularidade geográfica – o viaduto sobrevoa neste ponto o Concelho de Loures, e as Câmara Municipais de Lisboa e de Loures ainda não resolveram definitivamente o assunto. Não existe dinheiro envolvido, apenas uma permuta de terrenos. Mas mesmo que envolvesse a compra da parcela, o custo seria incomensuravelmente menor do que os prejuízos criados pela paragem da obra.

Falta também cumprir o acordo já realizado entre CML e proprietários dos Armazéns Ruela, celebrado em 2004, para que se possa criar a rotunda de distribuição do tráfego, essencial para um projecto imenso de um Centro de Mercadorias que traria para o território milhares de postos de trabalho.

Este ponto da Av. Santos e Castro chegou a ter o aspecto que podemos ver na reportagem que se segue – dando voz ao povo – realizado por um dos canais televisivos com maior potencial na Alta de Lisboa.

Com a compra do terreno dos armazéns Lazeite, há poucos meses, este ponto poderá finalmente ser concluído, mas sempre sem a rotunda projectada e a consequente saída para o Centro de Mercadorias, que necessitam dos terrenos ocupados pelos Armazéns Ruela e outros.

A Av. Santos e Castro está agora assim.

O Eixo Central tem avançado, como avançou também a Santos e Castro até parar.

É constituído por três tramos. Um que vem desde a 2ª circular até à rotunda das oliveiras, outro central que cruzará a Av. Krus Abecasis e outro deste a rotunda a construir no final do tramo central, até à Porta Norte, ligação com o Eixo Norte-Sul e Av. Santos e Castro.

Este último tramo não tem qualquer garantia nem perspectiva de ser construído, dado que exige inúmeras expropriações e compras de terrenos ocupados com armazéns na zona da Charneca.

O tramo central será concluído sem problemas.

O tramo sul terá o impedimento ainda não resolvido do terreno ocupado com o terminal da CARRIS e, obviamente, a ligação à 2ª circular através da Porta Sul.

António Costa garantiu em Outubro de 2009 que estes problemas com terrenos estavam resolvidos. Muita gente acreditou.

Falta falar da Porta Sul, mas é rápido. É uma triste história. A cronologia está indicada na imagem. Desde 1999 a 2005 foram feitos estudos e projectos que foram discutidos entre SGAL e CML. Em 2005 estava tudo aprovado, faltando apenas escolher o empreiteiro entre as 3 melhores propostas recebidas no concurso.

Como a obra era comparticipada pela CML por ajustes no contrato inominado (acontece quando a obra é repensada face a novas necessidades não previstas no PUAL – a Av. Santos e Castro ter 3 vias para cada lado é um exemplo), seria esta a decidir o empreiteiro.

Dois anos passaram, sem decisão. Em 2007, quando a eleição de um novo Executivo fazia prever o arranque da obra – 8 anos depois do início dos estudos – a surpresa: todos os estudos, projectos e consensos foram por água abaixo para começar tudo de novo, resgatando uma ideia antiga, abandonada em 1999.

Estes atrasos nas acessibilidades não prejudicam apenas a mobilidade automóvel. São um entrave incontornável para qualquer potencial investidor no território. Quem aposta num Centro Comercial, num Centro de Mercadorias, num bloco de escritórios, tendo como acesso a partir da 2ª circular uma estrada com uma faixa para cada lado?

Comments

2 Responses to “Alta de Lisboa – Acessibilidades”
  1. Contas por alto e para não termos demasiadas expectativas, para o eixo central completo podemos esperar o seguinte:
    -troço central (não completo, apenas entre Av. Abecassis e Rotunda Malha5) prometido para Novembro 2009 – só lá para o fim de 2010
    - troço sul, prometido para Dezembro 2010 – talvez em 2011
    - ligação campo grande – projecto de intenções escolhido no Europan 2010 este mês, definição dos pormenores mais 1 ano, aprovação final pela CML mais outro, mais 2 aninhos de obra a correr tudo bem, logo antes de fim de 2014, népia
    - porta sul – é que não faço mesmo ideia, mas lá para 2015, números redondos!
    - troço norte completo – só mesmo em 2020, pois terá interesse comercial apenas com os empreendimentos respectivos construídos -a grande parte que ainda falta situa-se no eixo central.
    Espero estar bem enganado… mas o tempo anda demasiado depressa

  2. Pedro Veiga says:

    "Estes atrasos nas acessibilidades não prejudicam apenas a mobilidade automóvel. São um entrave incontornável para qualquer potencial investidor no território. Quem aposta num Centro Comercial, num Centro de Mercadorias, num bloco de escritórios, tendo como acesso a partir da 2ª circular uma estrada com uma faixa para cada lado?"

    Uma estrada? Aquilo é um caminho de cabras atravessado diariamente por milhares de automóveis.
    Tudo isto é ridículo. Eu já não acredito na viabilidade deste projecto. A Alta morreu como projecto de uma nova parte da cidade. A CML em colaboração estreita com a SGAL acabaram com isto.
    Enganaram-me bem – a mim e a muitos outros milhares de habitantes deste naco da cidade!
    Quando puder faço as malas e zarpo daqui!

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