Tapem os buracos!
19 January, 2010 by João Ramos de Almeida

Agora que a chuva amainou um pouco, está na hora de fazer um ponto da situação.
Não é que seja uma verdadeira novidade, mas continua um mistério. E não se trata de uma realidade lisboeta. Passa-se por todo o pais e noutros países.
Porque é que cada vez que chove um pouco mais, surgem os buracos no alcatrão? Ou a pergunta seguinte: porque é que as estradas com maior movimento têm aquelas marcas indefinidas, mas suficientemente claras de que passou por lá um TIR bastante pesado?
As duas têm uma resposta imediata que raia a teoria da conspiração. Quem construiu as estradas, pavimentou as ruas ou simplesmente remendou os percursos não usou os materiais que disse que gastou e para os quais se fez cobrar. E quem era o dono da obra não fiscalizou devidamente a obra. Não esquecendo que, em muitos casos, o dono da obra coincide com o construtor.
A verdade pode ser um pouco mais complexa. Primeiro, a parte dos abaulamentos na estrada. Parecer de um geólogo: Não é possível construir estradas perfeitas, lisinhas e impecáveis, prontas para o veiculo passar sem sobressaltos. Não é possível medir a resistência do terreno e contar com a pressão do peso máximo que passará sobre o alcatrão. A componente caótica do terreno é mais forte.
Admita-se que sim. Mas como compreender os eternos remendos nas ruas da cidade que, daí a poucas chuvadas, precisam de novos remendos?
Várias respostas imediatas com base na busca na net “porque há buracos no alcatrão?”:
1) Não há alcatrão… (daqui)
2) Não há coordenação entre as diversas entidades fornecedoras de serviços urbanos e as autarquias.
3) Não há visão: “As Câmaras municipais quando arranjam as ruas deveriam fazê-lo a fundo, e não limitando-se eleitoralmente a colocar alcatrão por cima de alcatrão para a rua ficar com um piso bom durante algum tempo. Deveria ser evitado ser colocado alcatrão por cima das pedras basálticas da calçada, pois a água que escorre por baixo vai partir o alcatrão todo. Fazendo uma intervenção de fundo, a rua fica mais sólida e atreita a fazer menos buracos e o alcatrão dura mais tempo”. Opinião do blog “A Carga da brigada ligeira”
4) oportunismo: quem remenda quer continuar a remendar. E a prova disso é a que as lombas da cidade nunca têm buracos Opinião do blog “Um alfacinha em Paris“.
Poderíamos estar aqui até ao limite da paciência. Mas o importante é… que tapem os buracos.





Apesar de indiscutivelmente melhor, não compreendo por que motivo a Alameda das Linhas de Torres, cuja parte inicial foi alcatroada no Verão de 2009, continua a acumular também poças de água…