E se o Eixo Norte –Sul não fosse uma barreira?

A propósito do “Projecto Qualificação Espaço Público da Envolvente Eixo Norte Sul / Alameda das Linhas de Torres” que se encontra colocado à votação no Orçamento Participativo da CML, proponho para reflexão, ou até inspiração, o exemplo do espaço sob o viaduto da autoestrada A8, na Holanda, perto de Amesterdão.

O viaduto sobre o qual passa essa autoestrada foi construído em meados dos anos sessenta e dividiu ao meio a vila de Koog aan de Zaan, em Zaanstad, segregando os seus habitantes para um e outro lado dessa infraestrutura.

O espaço sob o viaduto tornou-se rapidamente num espaço sem identidade, que apenas serviu para estacionamento desordenado e graffiti, até o Município ter decidido requalificá-lo, em 1999.

Para o efeito, chamou os moradores, comerciantes e outros interessados a participar com as suas sugestões e opiniões, a partir das quais foi elaborado o programa do projecto – o A8erna – que teve como principal objectivo tornar esse espaço num local de encontro e onde se desenvolvessem actividades úteis e interessantes.

O projecto contemplou muitas das aspirações e sugestões da comunidade, factor que se acredita ter sido decisivo para o seu sucesso. Concluída a intervenção, que decorreu entre 2003 e 2006, podemos actualmente encontrar na envolvente daquele viaduto e debaixo dele: um supermercado, uma florista, um parque de estacionamento, uma “graffiti galery”, uma rampa de skate, um campo de basket, um palco de dança, um campo de futebol, uma “coluna de letras”…

Era esta a história que vos queria contar: como em pouco tempo e como que por magia, aquele local abandonado e sem identidade se transformou no que os seus habitantes queriam dele – um local seguro, agradável e cheio de vida!!

Como espero que venha a tornar-se este nosso espaço, hoje rasgado pelo Eixo Norte-Sul.

Comments

15 Responses to “E se o Eixo Norte –Sul não fosse uma barreira?”
  1. Tiago says:

    Mesmo muito bom, Luísa! O que precisaremos aqui para conseguir o mesmo no Eixo Norte-Sul? Prédios de habitação colados ao traçado não faltam, infelizmente.

    Mas mesmo numa dimensão menor que na Holanda, era possível no Lumiar aproveitar o espaço para fazer alguma coisa mais interessante do que um parque de estacionamento.

  2. CarlosMC says:

    Excelente post. Parabéns Luísa.
    O projecto que nos deu a conhecer é o exemplo típico de um inteligente aproveitamento de um espaço que de outra forma ficaria desaproveitado. Além de tudo o mais, do ponto de vista social, seria muito interessante um projecto similar, que não teria de ser necessariamente muito dispendioso.

    Muito menos interessante, mas de extrema importância para a Alta de Lisboa, seria a instalação de um posto de limpeza da CML devidamente integrado do pv arquitectónico.

  3. Este post faz-nos sonhar, seria realmente bom que também se pensasse assim em Lisboa. Será assim tão difícil e caro encontrar uma solução semelhante?
    Porabéns pelo post Luisa!

  4. Pedro Veiga says:

    Muito interessante este texto! Por baixo do eixo norte-sul algo semelhante deveria ser feito! E este arranjo deveria também contemplar as ligações da Ameixoeira com o Parque Oeste. Assim se conseguira dar vida a uma zona habitualmente insegura e muito pouco convidativa.

  5. PedroCG says:

    História muito bem contada, Luísa! Comento só o espaço que mediou entre a construção da AE e a decisão de revitalizar o espaço – 30 anos! É o tempo que levaram as mentalidades dos habitantes de um dos países mais evoluídos da Europa a mudar… Eu sei que nós andamos um bocadinho mais devagar, mas espero que não seja preciso os meus netos andarem a recolher assinaturas para a reconversão do espaço baldio que ficou no Lumiar com a implantação da Norte-Sul… é que nem filhos tenho ainda em idade de casar!

  6. PedroCG says:

    Quero só acrescentar que um dos projectos a votação no Orçamento Participativo era o da reconversão do espaçoi sob a Norte-Sul. Perdão – uma das IDEIAS. Do projecto nem um cheirinho bem como a justificação para o valor de obra apresentado. É pena que a participação dos cidadãos permitida se tenha resumido a uma indicação de preferência acéfala, sem possibilidade de análise detalhada do proposto. Talvez não tenha sobrado tempo para a sua colocação on-line, tão ocupados deveriam estar os serviços com o contrato da corrida da Red Bull…

  7. Obrigada pelos vossos simpáticos comentários :)

    Gostava mesmo que se fizesse qualquer coisa parecida debaixo do Eixo N-S… vou enviar a ideia para a CML.

  8. cvp says:

    De facto, parabéns pelo post. E gostei também porque este é um assunto sobre o qual venho pensando há um tempo também, dado o cada vez maior número de viadutos que têm surgido em Lisboa, os quais trazem, por baixo de si, espaços mortos ou, quando muito, estacionamento automóvel, o que na prática vai dar ao mesmo.

    Já numa reunião descentralizada da câmara que houve na nossa freguesia aqui há 2 anos, se não estou em erro, aproveitei para apontar, entre outras coisas, para o problema que este lado da cidade tem de ligações com a restante cidade: estamos rodeados pelo aeroporto, pela segunda circular e pela Padre Cruz/c. Carriche, logo, as ligações não rodoviárias são muito pontuais. E neste momento estas ligações serão de muito má qualidade, entre as quais as que se efectuam debaixo de viadutos: Campo Grande (e aqui repare-se na disparidade entre o viatudo do metro, da co-autoria do Edurado Nery e o que é o espaço por debaixo), o viaduto da Padre Cruz perto do Sporting, e agora o do eixo NS.

  9. cvp says:

    Aproveito ainda para dizer que soube de intenções para que este cruzamento se venha a processar em 3 níveis: um é o do eixo NS, outro seria o da Padre Cruz, que ficaria abaixo do solo, e o nível do solo seria para o trânsito de distribuição e acesso, em princípio mais afim com uma vida de bairro. Eu diria que, à partida, se o trânsito da Padre Cruz ficasse debaixo de terra, potencialmente esse sítio melhorará, assim o projecto se concretize no sentido favorável do que aqui se discute e não apenas para os carros. E por lógica de inerência, digo eu, seria de considerar todo o espaço por debaixo deste viaduto e a área circundante, o que incluiria o centro do Lumiar. Assim haja dinheiro e vontade política…

  10. JRUI says:

    Parabéns por este post.
    É de enorme interesse para a nossa zona , seria um acontecimento para toda a cidade a alteração da filosofia de ocupar estes espaços.
    Desde que o li não parei de pensar nele de tal forma fiquei impressionado com o interesse que me causou.
    Para além disso nunca tinha pensado em nada semelhante e estou francamente cheio de vontade de que alguma coisa deste género se possa fazer ali.
    Grande post sim Senhora, faço-lhe uma vénia.

  11. _unknown_ says:

    ja tentei entrar em contacto com a câmara por duas vezes para se fazer um skatepark ou um parque infantil por baixo do eixo norte sul.espaço e o que não falta.falta é resposta da parte da câmara para não variar

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