Efeitos do sismo na Alta de Lisboa
17 December, 2009 by Tiago Figueiredo

O drama. A tragédia. O horror. O sismo da madrugada de hoje deixou marcas profundas na Alta de Lisboa. A população saíu à rua em pânico, rogando clemência aos Deuses.
Algumas fotos de última hora dos estragos registados.
O Viver agradece aos leitores o envio para publicação de fotografias de outras ocorrências.


Acrescentada contribuição do Luís Magalhães



Tão forte que partiram-se várias placas nas fachadas de alguns prédios, bem no núcleo da Alta…
Tenho a certeza que a C.M.L. vai responder com prontidão!
Não foi em pânico , mas eu saí à rua. A minha esposa está quase na altura de ter bebé e foi complicado gerir a situação… moramos no 11º andar e aquilo abanou a sério…
Demos umas voltas de carro até ela acalmar e vi que havia pelo menos mais um casal na rua , e ela tb estava de roupão… mais um casal "aflito".
Esperemos que nunca passe disto…
Que horror!! Ao menos o sismo conseguiu terminar o Eixo Central em 3 tempos!
Bom post, bem aproveitado!
Mas a sério, aqui a Alta não é dos sítios geotecnicamente mais interessantes para vivermos; se quiserem confiram o mapa da "vulnerabilidade sísmica" constante da revisão do PDM de Lisboa em:
http://pdm.cm-lisboa.pt/Rev_PDM_Mapas/16_17_Plant…
No meu 12º piso da Rua Helena Vaz da Silva, o abanão foi bem sentido.
Não nos fazia mal nenhum volta e meia praticar aquela meia dúzia de medidas que a Protecção Civil recomenda, pelo menos saber os locais mais seguros da casa:
- Vão de portas interiores, de preferência em paredes-mestras.
- Cantos das salas.
- Debaixo de mesas, camas e outras superfícies estáveis.
- Longe das janelas, espelhos e chaminés.
- Fora do alcance de objectos, candeeiros e móveis que possam cair.
Alguém sabe por acaso se o Condomínio da Torre foi efectivamente construído com sistema anti-sismo? É que no contracto vinha isso. E é obrigado por lei mas já sabemos como são as leis aplicadas e fiscalizadas por cá!
Pelo que percebi no mapa acima dito estamos numa zona vermelha. Desconhecia isso
Agradeço que me respondam.
Obrigado
Todos os edifícios têm de ser projectados seguindo o Regulamento de Segurança e Acções para Estruturas de Edifícios e Pontes (RSA na gíria), D.-L- 357/85 na sua última versão. Regulamento que contempla, entre outras, as acções sísmicas. Sendo um D.-L. é de aplicação obrigatória, sem o que não pode ser licenciado.
Mais alguns esclarecimentos, que podem ver aqui:
http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?c…
9. As casas em Portugal estão preparadas para resistir a sismos?
"A maioria das construções já terá resistência sísmica", afirma Ema Coelho, responsável do Núcleo de Engenharia Sísmica do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), que se mostra "preocupada com as edificações anteriores a 1960". Segundo explicou ao DN, "só em 1960 é que passou a haver regulamentação específica para as novas construções terem resistência aos sismos. Em 1980 essa regulamentação foi reforçada, determinando que os edifícios têm de cumprir os requisitos para resistir aos sismos". No entanto, "não há a garantia de que a regulamentação seja cumprida a 100% pelos construtores. Nas grandes obras públicas, não há dúvida que sim. Na construção privada não se tem feito essa verificação, mas penso que seja cumprida", referiu. "As câmaras municipais têm técnicos e existem mecanismos para verificar se as construções, mesmo depois de concluídas, cumprem os requisitos de resistência sísmica. Mas não o fazem", diz a mesma responsável, defendendo que "é preciso reforçar a fiscalização". Considera que, "da parte do consumidor, também não há a preocupação de saber se a casa que vai comprar tem resistência sísmica ou não". Ema Coelho salientou que "a regulamentação portuguesa, em termos da resistência sísmica em edificações, até é das mais evoluídas da Europa. Se for cumprida, o risco de os imóveis colapsarem é muito menor e não haverá problemas de maior". Revelou que "está a ser preparada nova legislação nesta matéria e as autoridades responsáveis deveriam aproveitar a oportunidade para regulamentar a obrigatoriedade de reforçar a resistência sísmica nas construções mais antigas, principalmente nas zonas mais vulneráveis, como Lisboa e Algarve". Exemplifica que, "por vezes fazem-se obras para recuperar edifícios, mas não se dá resistência sísmica. Normalmente, só tapam rachas e pintam as fachadas dos prédios. Para dar resistência sísmica às construções antigas, basta consolidar as suas ligações (paredes, tectos e chão). Os custos nem são muito elevados". Por Daniel Lam
10. Há certificados e seguros obrigatórios para os prédios?
Não. Em Portugal, além da garantia do técnico que assina o projecto, não existe nenhuma certificação de que este cumpre as normas de construção anti-sísmica. E o seguro contra riscos sísmicos é facultativo. As normas mínimas de construção anti-sísmica estão definidas num Decreto Lei de 1983, o Regulamento de Segurança e Acções nas Estruturas de Edifícios e Pontes, que estabelece requisitos diferentes de acordo com o risco da zona do País onde se vai construir. No entanto, para a maior parte dos projectos, com excepção das grandes obras públicas, é suficiente a assinatura de um técnico inscrito numa associação profissional. "Em teoria, os edifícios construídos depois dos anos 80 estão bem preparados para resistir a um sismo, mas não existe nenhuma certificação além da garantia do técnico que assina o projecto", explica João Azevedo, do departamento de Engenharia Civil do Instituto Superior Técnico. "Devia haver um processo mais exigente de controlo de qualidade. Infelizmente, do meu ponto de vista, não há garantias suficientes. E infelizmente grande parte dos edifícios de Lisboa não tem qualidade", conclui. Isto sem falar nas construções anteriores aos anos 80, e na construção tradicional, em alvenaria, no Alentejo e Algarve, acrescenta. E até a construção da época pombalina, que recorreu a métodos inovadores depois do terremoto de 1755, já foi muitas vezes "abastardada". Por outro lado, "os seguros para o risco sísmico são facultativos, enquanto que para os incêndios são obrigatórios", diz João Azevedo. O engenheiro acredita que a cobertura contra sismos é reduzida no País.
Esperemos que não se repita um sismo do tipo de Benavente do início do século XX. Estes sismo teve origem numa zona bem conhecida dos geólogos e geofísicos.
Segundo um texto de Teresa Firmino do Público de hoje:
"A zona onde ocorreu o sismo, a uma profundidade de 30 quilómetros no interior da crosta, é uma velha conhecida dos cientistas pela sua actividade sísmica. Ali, na margem Oeste e Sul de Portugal continental fica a fronteira entre as placas tectónicas euroasiática e africana. E elas estão em colisão, à velocidade de quatro milímetros por ano, o que gera sismicidade.
Falhas tectónicas activas não faltam naquela zona – como a Ferradura, a sul do epicentro do sismo, ou a do Marquês de Pombal, a noroeste. Mas é prematuro associar uma destas falhas ao sismo, que teve uma certa profundidade. "Pode haver uma falha pré-existente em profundidade e não haver vestígios à superfície. Esta zona é de grande complexidade tectónica", diz Fernando Carrilho. Sismos como o que destruiu Lisboa em 1755 – com 8,7 e 8,8 de magnitude, um dos maiores de que há memória na Terra – foram gerados naquela região. "Os principais sismos que afectaram o nosso território tiveram praticamente todos origem nesta zona", resume Carrilho.
Com a magnitude que atingiu, o sismo de ontem é o maior desde o de 1969, com magnitude entre 7,3 e 7,8 e também no mar, na mesma região de fronteira de placas. Apesar da energia libertada então, não houve danos de relevo, à excepção de algumas casas danificadas no Algarve. Outro exemplo de um sismo em terra (ou perto) com danos é o de 1998, nos Açores. Também com magnitude seis, e epicentro a menos de dez quilómetros do Faial, matou oito pessoas e feriu 150.
Mas um sismo como o de ontem não tem de ser em terra para causar destruição. "Um sismo de magnitude seis a 20 quilómetros da costa já seria capaz de provocar danos", sublinha Carrilho. "A libertação dessa quantidade de energia numa zona mais próxima das populações teria um impacto maior. Com a distância, a energia sísmica diminui." Também José Borges não hesita em responder que a 20 quilómetros haveria danos: "Seguramente que sim.""
A falha do Marquês de Pombal está lá naquela região onde se gerou este sismo e é uma das responsáveis pelo grande de 1755!