Os dias perigosos da Internet
6 May, 2009 by Mr. Steed

Todos os dias utilizamos a Internet, mas à medida que a sua importância aumenta decorrem várias lutas nos bastidores .
Esta nova ferramenta fez surgir uma série infindável de desafios e tornou necessário alterar antigas leis e conceitos. Se por um lado a informação, o saber, a cultura e o entretenimento ficaram mais acessíveis, por outro a Internet destruiu modelos de negócio assentes em velhas premissas criadas muito antes da “revolução digital”.
A indústria discográfica foi a primeira a entrar em colapso. Pesadas, conservadoras e obrigadas a enfrentar o primeiro embate, as editoras velhas de um século reagiram negativamente e foram destruídas pela avalanche de possibilidades de cópia, troca e partilha de música que a passagem do sistema analógico para o digital e a divulgação da banda larga permitiram.
Logo a seguir o problema espalhou-se para o cinema, o home entertainment (termo que define a área de negócio que explora diversos formatos, desde o VHS ao DVD, Blue-Ray, etc.) e a televisão.
De outro modo, também a imprensa escrita em suporte de papel está a sofrer com final de um ciclo. Jornais e revistas fecham ou passam a ter apenas edições online e ninguém tem muito a noção de qual será o próximo passo: começar a cobrar por conteúdo? Permitirão as receitas com a publicidade nos sites manter a qualidade e sustentar um jornalismo de investigação? Qual será o papel dos blogues? Informação hiperlocal? Conteúdos gerados por utilizadores? Mecenato? Quase todos os dias aparecem artigos de opinião que clamam ter encontrado o maná da era digital. Na verdade, ninguém sabe o que se irá passar tal é o grau de novidade.
Os próximos afectados serão os livros. Assim que os leitores digitais largarem a infância e os designs desajeitados, surgirá o equivalente para a leitura do que foi o Ipod para a música. Um aparelho que permitirá descarregar livros, jornais e revistas e transportá-los confortavelmente para qualquer lado.
Mas no meio desta agitação e enxurrada de novidades levantam-se algumas nuvens negras. Apesar do número avassalador de utilizadores de Internet que, à luz das antigas leis de copyright, partilha ficheiros de forma ilegal, persistem intenções de controlo e vigilância.
Sites como o Pirate Bay que apontam para torrents que permitem partilhar ficheiros têm sido perseguidos e processados judicialmente por incitarem à “pirataria” (os responsáveis pelo site foram condenados recentemente por um tribunal sueco, mas veio a saber-se que o juiz tinha ligações à indústria o que, caso se prove o conflito de interesses, pode conduzir à anulação da sentença).
Tecnologias como a do Skype – que possibilita efectuar chamadas telefónicas a custo zero utilizando a tecnologia Voice over IP – têm sido bloqueadas por afectarem o negócio das empresas de telecomunicações.
Em França, Sarkozy não desiste de implementar uma lei – chamada de “resposta gradual” – que permite aos ISP cortar o acesso à Internet a quem efectuar downloads ilegais sem recurso aos tribunais.
Por fim, mais preocupante ainda, no Parlamento Europeu fala-se não só da lei de resposta gradual mas de um sinistro pacote de leis sobre telecomunicações que, segundo alguns observadores, pode transformar por completo a Internet tal como a conhecemos, limitando o acesso a sites e formatando a informação a que podemos aceder.
Leitura aconselhada:
Saiba como votam os deputados portugueses no Parlamento Europeu



Não acredito que o sistema vá a tempo de tapar a brecha aberta pela net . Será como tentar tapar um buraco num dique com um dedo mindinho – a força da água é superior. Não achas?
Mais fácil será o sistema adaptar-se e descobrir maneiras de ganhar dinheiro na net. Há-de descobrir, mas no entretanto, sobram estas guerrinhas.
É como com os vírus: para cada um , descobre-se um antídoto, para o qual se cria um virus mais resistente, o qual por sua vez será bloqueado por um anti-virus mais eficaz, and so on, ab nausea (if you pardon my french,,,)
Já acreditei mais nisso.
O facto é que tem sido muita a actividade cerebral daquelas alminhas num esforço de complicar e controlar. Um esforço que deviam estar a concentrar em descobrir novas formas de rentabilizar a revolução digital.
Este pacote das telecom é diabólico e a verdade é que já conseguiram algumas pequenas vitórias em países que se estão a deixar seduzir pela tentação do controlo (sobretudo os anglo-saxónicos mais a França e até certo ponto a Suécia – acho que não estou a falhar nenhum).
O bloqueio do Skype e a resposta gradual são duas dessas "conquistas". A isso junta-se o "traficc shapping" que por cá já se faz a quem está a consumir muita banda larga.
ACTUALIZAÇÃO DESTE TEMA: "Parlamento Europeu aprova versão original da emenda 138"
http://tr.im/kGec
Citação importante: "Será ou não de admirar que Partido Socialista e Partido Socialista Democrático pertençam a grupos políticos que apoiam o corte da ligação à Internet dos cidadãos europeus? E porque motivo questões importantíssimas como estas não parecem fazer parte do debate antecedendo as eleições europeias de Junho próximo?"
Mas há alguma questão – para além do despenteamento de Vital Moreira – que esteja a ser debatida nesta campanha eleitoral?
quem é o Vital Moreira?
o primo do Vidal Sassoon! (e como vais continuar a perguntar quem é esse… : http://www.sassoon.com/
naaa, o Vidal Sassoon sei quem é. o Vital Moreira é q não estou a ver. E há outro, um Santana qualquer coisa…tenho muito má memória para nomes.
Qual Santana – o da ginástica cueca?
sim esse! aaaaah nesse eu votava….:p