Px em Lx
26 April, 2009 by Pedro

Encerrou hoje o que, para mim, é o mais bem realizado evento gastronómico da capital. Quando comecei a escrever ainda havia tempo para uma saltada, agora já não, mas não deixem de marcar na agenda para o ano, vale a pena experimentar o que os mais talentosos chefs a trabalhar em Portugal têm para oferecer.
Não vou entrar em muitos detalhes – podem encontrá-los todos aqui – antes quero deixar algumas das minhas impressões e escolhas do que tive oportunidade de saborear.
1º – As provas de vinhos
Dos provados, ficaram-me dois na memória, pelo inusitado. O Rosé de Moscatel Roxo da José Maria da Fonseca, um travo diferente a deixar a vontade de o partilhar numa roda de amigos (e mais este mas também estes) à volta de um belo peixe.
Já o Moscatel aromatizado com chocolate (da Bacalhoa ? esqueci-me do produtor) começa por conquistar pelo aroma, alarga-se na boca e deixa uma recordação indelével. Sugeriu-me uma combinação com um queijo forte, talvez um Castelo Branco, aceito sugestões alternativas.
2º – As apresentações
Infelizmente, a organização não criou um passe só para as sessões de apresentação e formação que, excluindo as provas, tornasse o acesso a estas menos oneroso para os aficionados desejosos de aprender com os grandes.
O chef Albano Lourenço do restaurante Arcadas da Quinta das Lágrimas fez uma demonstração perfeita de como é possível criar pratos fantásticos de aparência e sabor, a partir de ingredientes simples e acessíveis a todos.

Albano Lourenço: a simplicidade entusiasmante


Por má indicação da menina postada à entrada da sala cheguei atrasado, só tendo assistido à preparação do segundo prato, uma belíssima posta de pescada com boletos acompanhada com folhas de endívia em calda e ramalhete de alfaces. O génio não está em pôr um ovo em pé, está em descobrir como é que isso se faz.
3º – Os restaurantes presentes
Alguns dos melhores restaurantes do país, cozinha criativa, entusiasmante, a gerar dependência profunda.
Em primeiro lugar aquele que consegue melhor equilibrar tradição, inventiva, surpresa: o Vítor Sobral do chef homónimo.

A ementa do dia - lado bacalhau
Das várias variações de bacalhau, experimentámos a moqueca de línguas com coentros. Línguas no ponto, farofa com coentro migado, um molho sibilino executado com azeite de dendê de primeiríssima qualidade, importado directamente pelo chef.

Ceci n'est pas Sobral
Gemelli
É o Gemelli o melhor restaurante italiano de Lisboa? Bom, o Gemelli é mais um restaurante de inspiração italiana do que um restaurante italiano, tal a criatividade das suas criações… Ainda que da última vez que lá estive me tenha sentido um bocadinho usado (pedimos um menu desgustation e saiu-nos uma coisita a despachar, boa para públicos distraídos, burgueses prontos a ser deslumbrados), continuo a considerar o Gemelli um bom lugar para uma boa refeição. No entanto, a concorrência aumenta a cada dia e é bom que o chefe não se deixe adormecer à sombra dos louros conquistados.

Gemelli: algumas das ofertas
Prato degustado: um risotto de frutos do mar rigoroso, com um toque que me custou a identificar (açafrão?). Único senão: os detestáveis talheres de madeira que o acompanhavam. Desconhecerão os seus responsáveis o sabor irritante que deixam na boca e destroem a subtileza de aromas que se esforçaram a combinar nos seus pratos?

Eis o risotto
Não me venham com os chefs japoneses e a excelência das suas preparações! Os melhores sushis, sashimis e makis que podem comer em Portugal estão no QB!


O maki do dia: salmão demi-cuite, uma explosão
Sou – como se pode ver – absoluto fan. E já tenho curso marcado para este ano.

As mãos mágicas de Paulo Morais
O NOBRE
A chef Justa continua a exercer o seu magistério de forma notável, não sendo afectada pelos altos e baixos das variadas aventuras empresariais que foi patrocinando ao longo dos tempos.
Foi com o seu folhado de marisco que terminámos a refeição e que bom fecho ele foi!

E pronto, para o ano há mais. Se não quiserem esperar, experimentem, vão até à casa deles! Ou cozinhem vocês. É canja. Ou outro prato. Eu sei que vocês podem.





Boas fotografias! E com o relato, a água na boca vai crescendo.
Também estive no evento e todas as palavras são poucas, para descrever este tributo ao peixe e à boa cozinha.Uma excelente iniciativa, muito bem conseguida!!!
Nesta viagem de degustação tive oportunidade de experimentar os profiterole com cobertura de choco no Ribamar do Chefe Chagas às vieiras do Panorama Sheraton, passando pelas iguarias do já referido QB Essence.
Para terminar, como agradecimento por uma sobremesa fantástica deixo um obrigado ao Giorgio Damasio.
Hum… os profiteroles… esses escaparam-me. Dize-me, Henrique, a cobertura devia ser à base da tinta dos ditos e o interior? Tinha o quê? Fiquei aqui com umas ideias para exeprimentar
hummmmm….B)
para a próxima não me escapa!
Pedro, qual é a periodicidade do evento?
Anual, Luísa. O ano passado houve uma aproximação, na Feira de Vinhos mas foi muito má… Guarda-te para esta – ou para outras novas que apareçam
que apareçam
Obrigada Pedro, vou ficar atenta
Depois de ler este post e de ver as fotografias para a próxima lá estarei!