Alfama velha (II)

As coisas evoluem ou involuem em Alfama – dependendo do optimismo ou da pouca memória do observador.

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Veja-se esta casa de bonecas: o senhor Rasmussen encantou-se com o sítio e mandou meter mão à obra. Será um projecto curioso: este apartamento sairá tão pequenino que, se o senhor Rasmussen fôr um daqueles suecos altos e grandes, para mudar de ideias vai ter de  vir à rua.

O local traz-me lembranças. Este prédio ficava tapado por um outro que dava para a Rua da Regueira. Tinha 16 m2 de área livre por piso e estava em ruínas.

Teve um projecto que a única coisa que conseguia salvar – para além da memória do espaço – eram as paredes exteriores ao nível do rés-do-chão. A obra começou e cedo se concluiu que nem estas poderiam ser salvas. Chateou-se o projectista para mudar o projecto e adaptá-lo à nova realidade. A obra parou para que os arqueólogos do Museu da Cidade pudessem analisar o subsolo. A obra nunca mais recomeçava. Finalmente percebeu-se que era um desperdício gastar mais de 20 mil contos a refazer um prédio com uma área por piso tão pouco fácil para ser utilizada e a empreitada foi abandonada. Fecharam-se os buracos, consolidou-se a empena vizinha, ficou um espaço para esplanada do café ao lado.

Esqueceram-se de pagar ao projectista o trabalho tido.

Comments

7 Responses to “Alfama velha (II)”
  1. Tiago says:

    Ora bolas para a sina dos projectistas! E do Sr. Rasmunssen, sabes alguma coisa?

  2. Pois! É o costume….
    O pó do meu monitor não me deixa perceber a data de emissão do alvará.
    Caso seja 12/2008 ainda deve andar a correr muita água por este processo.
    Eu é que me ponho aqui a imaginar o edifício que ficava bem aí…

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